As discrepâncias esqueléticas de Classe III de Angle são caracterizadas clinicamente pela protrusão da mandíbula em relação à maxila, no sentido anteroposterior. Etiologicamente podem ser originadas à partir de uma maxila subdesenvolvida, uma mandíbula hiperdesenvolvida ou uma combinação entre esses dois fatores. Embora esses sejam os fatores etiológicos mais comumente aceitos, diversos outros podem estar envolvidos nessa má oclusão. Em um trabalho clássico na literatura, Guyer (1986) determinou 27 tipos diferentes de Classes III, quando diversos aspectos dentários e esqueléticos foram avaliados e combinados entre si. Apesar dessa variedade, em 25% dos casos o posicionamento da maxila se mostrou retraído em associação com uma mandíbula normal e em outros 22% existiu uma combinação de maxila retruída e mandíbula protruída. Dessa forma, podemos inferir que, em aproximadamente 47% dos casos de Classes III, existe um comprometimento da maxila no sentido anteroposterior. Esse fato, associado às dificuldades mecânicas impostas por essa má oclusão, faz com que a terapia de escolha, na maioria dos casos, recaia sob a protração maxilar associada à disjunção palatina.
Essa abordagem terapêutica interceptora possui grande respaldo na literatura científica mas normalmente demanda de um longo tempo e pode trazer resultados inesperados a longo prazo, pois não devemos nos esquecer dos componentes hereditários dessa má oclusão que se manifestam durante todo crescimento. Contudo, após a fase de tração, devemos pensar em um aparelho que possa auxiliar na contenção desse novo posicionamento maxilo-mandibular. Dentre as opções existentes, o aparelho de Frankel III se mostra bastante interessante, uma vez que redireciona o crescimento mandibular e permite um crescimento maxilar transversal e anteroposterior. A arquitetura do aparelho, com escudos acrílicos vestibulares, botão labial superior e um arco vestibular inferior conferem uma rigidez estrutural e possibilitam uma adequação da musculatura da face e dos lábios. Esse aparelho pode ser utilizado durante toda a fase de desenvolvimento oclusal, sendo somente substituído por aparelhos fixos após a completa erupção dos dentes permanentes. Nesse momento deve-se avaliar criteriosamente a necessidade ou não da utilização dos aparelhos fixos, lembrando que o alinhamento e o nivelamento dos dentes pode desfazer toda a compensação conseguida durante a primeira fase de tratamento.

Para ler mais:
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https://ortodontiamazzieiro.com.br/blog/mas-oclusoes-quantos-tipos-existem/
Bibliografia:
- Guyer, E.C.; Ellis III, E.E; McNamara Jr., J.A.; Behrents, R.G. Components od Class III malocclusion in joveniles and adolescents. Angle Orthod 1986 Jan; 56(1):7-30.
- Hyoung S. Baik, Sung H. Jee, Kee J. Lee, Tae K. Oh. Treatment effects of Frankel functional regulator III in children with Class III malocclusions. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2004; 125:294-301
- Alyssa S. Levin, James A. McNamara, Jr., Lorenzo Franchi, Tiziano Baccetti, Christine Fränkel. Short-term and long-term treatment outcomes with the FR-3 appliance of Fränkel. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2008;134:513-24)


