Respirar bem é fundamental. Na fisiologia normal, a respiração deve ser realizada através do nariz, órgão do corpo responsável pela filtragem, aquecimento e umidificação do ar, facilitando as trocas de gases pelos brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Para que isso aconteça não devem existir fatores que possam obstruir as vias aéreas superiores.
As causas das obstruções das vias aéreas superiores mais comuns podem estar relacionadas com a presença de hipertrofias das amígdalas, das adenóides e/ou dos cornetos, o que representam uma barreira física à passagem do ar pelas narinas. Outras causas frequentes relacionam-se aos desvios de septo, fraturas, pólipos nasais e à presença de corpos estranhos. O diagnóstico dessas obstruções deve ser realizado pelo médico otorrinolaringologista, muitas vezes com o auxílio de uma fibronasoscopia, exame considerado padrão-ouro para definir o grau de obstrução nasal e a necessidade ou não de cirurgias.
Além desses fatores de obstrução física, pacientes extremamente alérgicos podem apresentar também variados graus de dificuldade respiratória, devido à irritação constante das mucosas nasais, com produção excessiva de muco e edema dessas mucosas. Nesses casos, o acompanhamento de um alergista e um tratamento com anti-alérgicos e/ou corticoides pode minimizar os efeitos, porém a eliminação total dos fatores alergênicos é provavelmente impossível, o que determina, ao paciente, uma respiração não muito eficiente durante toda a sua vida.
No aspecto do desenvolvimento facial e dos arcos dentários, as consequências de uma respiração bucal são bem conhecidas e englobam arcos maxilares constritos e com tendência à mordida cruzada posterior, uma tendência à mordida aberta anterior dentária e esquelética, com exacerbação do padrão vertical de crescimento facial e uma altura e profundidade do palato exageradas. Normalmente as crianças apresentam um aspecto facial de cansaço, com olheiras profundas, lábios e boca entreabertos e uma postura de língua inadequada, mantendo-a sempre mais baixa, o que denota um desequilíbrio entre as musculaturas peribucais e a língua. Essas características bucais e faciais caracterizam a síndrome da face longa, comum nesses pacientes respiradores bucais.


