A insuficiência velofaríngea (IVF) pode ser definida como um fechamento incompleto do esfincter entre a orofaringe e a nasofaringe, causada por um defeito estrutural do palato mole ou da parede da faringe, que resulta em uma fala hipernasalizada. Nos pacientes portadores de fissuras palatinas submetidos à palatoplastia primária, a IVF está presente em torno de 10 a 30% dos casos, possivelmente em decorrência da presença do tecido cicatricial, diminuição do comprimento e da espessura do palato mole e da alteração da mobilidade do palato mole e paredes faríngeas.
Pacientes com fissuras labiopalatinas normalmente apresentam um perfil côncavo, deficiência da face média, uma pré-maxila hipodesenvolvida, o que determinam uma classe III esquelética. Essa deficiência pode estar relacionada com uma diminuição intrínseca do tamanho da maxila ou ser consequência das próprias cicatrizes das cirurgias reparadoras primárias.
Os tratamentos ortodônticos clássicos de uma classe III envolvem, na maioria das vezes, a protração da maxila ou o preparo orto-cirúrgico para avanço maxilar, combinado ou não com a retrusão da mandíbula. Em pacientes não fissurados, esses procedimentos possuem pouco ou nenhum impacto sobre as funções velofaríngeas. Contrariamente, as consequências inerentes aos processos reparadores das fissuras palatinas e que levam a um quadro de IVF, podem se agravar quando a maxila é avançada anteriormente pela protração ou pela cirurgia ortognática.
Para ler mais:
Referências:
- Helal et al. Relationship of Velopharyngeal Insufficiency
With Face Mask Therapy in Patients With Cleft Lip and Palate. The Cleft Palate-Craniofacial Journal 57(1):118-122, 2020. - Medeiros-Santana et al. Predictors of Velopharyngeal Dysfunction
in Individuals With Cleft Palate Following Surgical Maxillary Advancement: Clinical and Tomographic Assessments. The Cleft Palate-Craniofacial Journal 56(10):1314-1321, 2019.

